Tertúlia de Encerramento

No dia 20 de julho tivemos uma tertúlia de encerramento da exposição Ilimite Cósmico de Pilar Domingo. O encontro foi riquíssimo e suscitou diversas reflexões sobre a obra de Pilar Domingo, dentre as falas contamos com o depoimento poético de José Cassio Ignarra, transcrito abaixo:

“Convidado a falar sobre a exposição da artista Pilar Domingo prefiro começar pelo seu nome: Ilimites cósmicos. Nomes não são arbitrários nem só palavas. Nomes fazem parte da essência dos seres. Ilimite não está no dicionário mas vem talvez daí um de seus significados. Algo que não está no dicionário bem comportado do conhecido e do praticado. Ilimite, deslimite, não limite. O que limita a arte de Pilar Domingo ? Quais são suas fronteiras, suas barreiras ? Em que riscos, em que traços se limita a sua arte ? Qual é o limite de seu campo ? Fotografia, desenho, gravura, doçura ? Xilo ou pintura ? Ou delírio, loucura, busca incessante do que não se explica, do que se replica no abraço apertado da prensa ? Camadas, superposições, misturas rompem limites, dizem e desdizem entre si. Suas sombras de seres são seres. Sua presença sugere o que está presente mas não se mostra.

Sua arte não é simples, mas tambem não se pode afirmar que é complexa. Seus ilimites não são simples, são pretensiosos, são cósmicos. Isso não é pouco nem simples.

O Cosmos questiona ideia de limite. Quais são os limites do Cosmos ? No espaço, o que existe para além do fim do mundo ? No tempo, o que existia antes do Começo ? E o que acontecerá depois do fim ? Essas antigas questões sempre fizeram a Filosofia debater-se em vão. Mas Pilar não se debate nem debate, olha para o Cosmos e o fotografa, empilha, revela e pinta.

Para terminar, perceba, sinta: certos artistas são segunda feira, outros são sábado, Pilar, Domingo.”

José Cassio Ignarra, julho de 2017.

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